domingo, 18 de setembro de 2011

Sem Volta.

Olhou em volta, e a noite era de um tempo azuladamente negro com tons de nuvens encarnadas.
Voltou-se para dentro e observou seu próprio mundo, destruído.
Desterrado.
Desolado.
Sabia que no mundo de fora teria que encontrar caminhos para a reconstrução do seu próprio mundo.
Perguntava-se agudamente sem convicção.
"Valeia à pena?"
E procurava vislumbrar o tempo que se lhe desentolava à frente, lentamente devorando os dias em que se adia algumas respostas.
Buscas.
Lutas.
Lutos.
Mantinha-se então sobrevivente da sua própria catástrofe, esforçando-se para reagir como se tudo já houvesse ficado no passado, e na nova porta aberta, era preciso ter eficiência e normalidades formais.
Então por que não se entregar de todo ao novo?
O novo era-lhe um pouco similar à causa da sua tragédia pessoal, e por mais que tentasse, sentia-se apenas automáticamente seguindo os comandos que lhe são ativados, exigidos.
Se começasse a ter muitos sentimentos poderia ser que fosse ativado um outro começo para um outro fim.
Tudo muito frágil.
Mas era preciso se reconstruir à partir de qualquer ponto, à partir dali, talvez.

Nenhum comentário:

Postar um comentário